Análise NFS ProStreet (Uol Jogos)

Inovação, hoje em dia, é artigo de luxo, você sabe. Ter a ousadia de mudar é admirável, ainda mais em se tratando da Electronic Arts, conhecida por espremer cada gota possível suas franquias, e de “Need for Speed”, um verdadeiro best-seller da indústria. Porém, “ProStreet”, ao investir em uma abordagem realista e politicamente correta, perde-se no meio do caminho e, embora não seja um jogo ruim, tampouco possui atrativos para destacar-se em meio aos demais títulos do gênero.

Pegando leve

Desde “Underground”, quem acompanha “Need for Speed” acostumou-se com o tuning, a cultura do “street racing” e até mesmo viu voltar as perseguições policiais que outrora animaram a franquia. Tudo bem que “Carbon”, com seus penhascos, não figurou entre os mais divertidos, mas a primeira impressão, ao jogar “ProStreet”, é a de que o game tenta ser algo que definitivamente não é. E, como era de se esperar, a investida não dá certo.

Uma das primeiras coisas que você deve fazer é escolher o nível de realismo da pilotagem, sendo que no mais avançado não há nenhum tipo de assistência. Mesmo assim, com o carro na pista, a sensação está longe de ser fidedigna, ainda mais para quem está acostumado a “Forza Motorsport”, “Gran Turismo” ou mesmo “GTR” quando o assunto é simulação. “ProStreet” fica numa espécie de meio-termo entre o arcade e a simulação, sem identidade própria.

É visível que a EA Blackbox resolveu pegar leve, não mais abordando a cultura das corridas de rua como um assunto clandestino ou condenável. O resultado é um enredo raso para a campanha single-player, que coloca você na pele de um piloto que corre em busca de vitórias até confrontar o bam bam bam do pedaço, que o desrespeitou no início de sua carreira. Os diálogos e as animações são pouco convincentes, a ponto de se questionar a real necessidade de existirem.

A alma do negócio

Na pista, as coisas melhoram. “ProStreet” tem seus bons momentos: A campanha se desenvolve através dos Race Days, que englobam diversos eventos, começando por conhecidos como o Grip, corrida com oito adversários e na qual vence quem cruzar primeiro a linha de chegada, até chegar no estreante Speed Challenge, baseada em checkpoints – as pistas são divididas em diversos checkpoints e, ao final, quem conseguir o menor índice de tempo na maioria deles vence a disputa. Além disso, há as arrancadas do Drag e as derrapagens do Drift.

É conteúdo suficiente para mantê-lo ocupado por um bom tempo, mas a dúvida que fica no ar é se você vai conseguir se interessar em chegar ao final. Algumas situações são frustrantes, como a premissa do Speed Challenge, que às vezes faz você perder, porque ficou atrás em um checkpoint, mesmo tendo uma boa performance na maioria imensa; e o que dizer, então, do minigame para esquentar os pneus antes do início do Drag? É até divertido no começo, mas como as baterias envolvem três provas, você acaba torcendo para que tudo acabe rápido. E não é assim que um game tem que funcionar.

A progressão não é das mais estimulantes, já que demora até você poder colocar as mãos nos bólidos mais bacanas. Até lá, é necessário passar por dezenas e dezenas de provas e, diante do enredo ruim e da mecânica pouco inspirada, talvez você pare no meio do caminho. Se bem que há pontos bons a destacar, como o belo sistema de danos, que influencia decisivamente no desempenho do carro, e as inúmeras opções para personalizá-los, algo que já virou característica de “Need for Speed” nesta fase recente da série. Como de costume, obviamente, é possível comprar novos veículos ou aperfeiçoar aqueles que já estão na sua garagem.

Enquanto o PlayStation 2 e o Wii, não tem modo online, no PC, PlayStation 3 e Xbox 360, o jogo possibilita criar o seu próprio Race Day, o que significa determinar a pista, os tipos de corrida e até mesmo quem pode participar, em partidas valendo pontos para o ranking ou não. A parte interessante é que o adversário nem precisa estar online ao mesmo tempo que você: basta criar o Race Day e, horas depois, conectar-se novamente para checar os resultados; aquele com os melhores índices de tempo leva a melhor.

Porém, o que chama a atenção no multiplayer é a enorme quantidade de propaganda, a chamada publicidade “in game”, atualizada quando você se conecta ao servidor. Tudo bem, é uma tendência, mas mesmo assim não passa despercebido tal nível de exploração comercial. Pior para a experiência, no entanto, é ver que no Xbox 360 – e futuramente no PS3 – pode-se usar dinheiro real para comprar carros e melhorias, sem pré-requisitos para evitar centralizar a disputa no bolso dos jogadores, e não em suas habilidades de pilotagem.

Onde há fumaça…

“ProStreet” não tem gráficos revolucionários, mas se sai bem no quesito mesmo assim, com destaque para os efeitos de fumaça e, principalmente, para a reprodução dos danos nos veículos, que vão se despedaçando e quebrando aos poucos. Nos PCs modestos, a taxa de quadros por segundo sofre um pouco, pois o game não está tão bem otimizado quanto seria de se esperar. Por último, a interface é uma das mais precárias já vistas na série, com uma péssima organização de menus e opções para navegar.

Quanto à trilha sonora, assim como o conjunto da obra, também lhe falta inspiração, mas há a seleção de faixas costumeira. Pior mesmo são os diálogos, pouco naturais e nada convincentes, mas seria injusto dizer que isso prejudica seriamente o game, afinal, trata-se de um título de corrida, gênero no qual o enredo não exerce tanta importância.

CONSIDERAÇÕES

“Need for Speed” já passou por maus períodos no passado e “ProStreet” deve ser encarado como um sinal de alerta. É verdade que é difícil manter a dianteira o tempo todo, mas esta versão mostra que a série passa por uma certa “crise de identidade” e, embora não seja um título ruim, está longe da inspiração e qualidade dos anteriores. O game tenta ser um simulador, mas não consegue, em função de elementos como o enredo supérfluo e modelo de pilotagem pouco convincente. A ousadia para inovar é louvável, mas a tentativa não deu certo; para a próxima versão, melhor repensar as coisas. Por ora, esta você pode deixar passar.

Créditos: Uol Jogos

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